Lutando contra Mudanças Climáticas

Evitando o desmatamento e o isolamento do carbono com o reflorestamento e o agroflorestamento

A Pró-Natura já demonstrou na América Latina, Ásia e África que o ciclo cruel da pobreza rural, práticas agrícolas não sustentáveis, desmatamento e a aceleração das mudanças climáticas podem ser revertidas.

Práticas agrícolas não sustentáveis são a maior causa do desmatamento e do aquecimento global. Mais ou menos 20% das emissões de gases do efeito estufa – o equivalente às emissões de todos os carros, caminhões, aviões e navios juntos – é causado pelo desmatamento das florestas tropicais.

A Pro-Natura promove o agroflorestamento, o sistema que aumenta a produtividade através da combinação do cultivo de safras e/ou a criação de animais em ambientes florestais.

A oportunidade é descrita pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC): “Mais de um milhão de hectares estariam adequados para a conversão para o agroflorestamento de alta produtividade, com potencial para reduzir significativamente a pobreza e o desmatamento com o isolamento do carbono em grande escala”.

Por quase 25 anos comprovamos a eficácia do agroflorestamento na América Latina, África e Ásia, onde instalamos centros de treinamento prático para os agricultores. Particularmente, desenvolvemos técnicas de multiplicação de árvores que dobram a produção de frutas, além do primeiro manual sobre agroflorestamento disponível – atualmente em francês e português.

Energia de Biomassa ou Carvão Ecológico

Como consequência do rápido desaparecimento das florestas em todo o mundo, os dois bilhões de pessoas que atualmente utilizam a madeira para cozinhar estão passando por problemas domésticos de energia. Isso está gerando um problema social e exacerbando o desmatamento, secas, e a desertificação. O uso da madeira como combustível para cozinhar tem outra séria consequência: a organização Mundial de Saúde estima que 1,6 milhão de mulheres e crianças morrem em consequência de incêndios por conta da má ventilação das casas (número maior que as mortes por malária).

A Pró-Natura está introduzindo um combustível doméstico chamado “carvão ecológico” produzido por um processo ecológico de carbonização de matéria orgânica não utilizada para a alimentação dos animais ou para o enriquecimento do solo. Resultado de 14 anos de pesquisa e desenvolvimento, a tecnologia desse carvão ecológico rendeu à Pro-Natura o primeiro prêmio em inovação tecnológica da Fundação Altran, com sua unidade pioneira de pirólise, a Pyro-6F. Essa máquina prova que é possível desenvolver um tipo de “carvão ecológico” a partir de lixo agrícola/florestal cuidadosamente selecionado – e do contrário não utilizado – de maneira altamente ecológica e eficiente.

Nossa tecnologia produz de 4 a 5 toneladas por dia de “carvão ecológico”, utilizando resíduos agrícolas como hastes de algodão, casca de arroz e resíduos de café. Essa tecnologia foi transferida para um novo empreendimento social com base em paris, o Green Charcoal International, que constrói máquinas Pyro-6F e investe continuamente em R&D.

O biochar como uma estratégia prática para a mitigação das aceleradas alterações climáticas

Conforme as plantas crescem, elas absorvem o dióxido de carbono da atmosfera (CO2) para produzir biomassa que contém carbono. Ao invés de permitir que a matéria da planta se decomponha e emita CO2, a pirólise transforma mais ou menos a metade do carbono estocado no tecido da planta numa forma estável e inativa de carbono.

Sendo assim, enquanto a fotossíntese remove CO2 da atmosfera, o biochar estoca carbono de forma sólida e benéfica. Já que a produção do biochar pode remover mais CO2 do que é liberado de toda atmosfera (enterrando-o em forma de adubo), é considerada uma tecnologia de efeito negativo no carbono. Também já ficou comprovado que o biochar pode reduzir as emissões de outros gases de efeito estufa do solo, incluindo o metano e o óxido nitroso (300 vezes mais potente que o CO2). Um estudo recente estimou que 12% das atuais emissões de gases de efeito estufa de origem antropogênica podem ser reduzidos pelo biochar.

Esses solos ricos em biochar podem ser considerados verdadeiros “sumidouros de carbono”, absorvendo e armazenando CO atmosférico. Cada tonelada de biochar pode isolar em média 2,7 tCO (ou 27 tCO2e por hectare de terra onde 1 kg de biochar foi utilizado por m2). A Pro-Natura acredita que os créditos de carbono associados ao isolamento do carbono pela adição de biochar ao solo irá em breve se tornar internacionalmente aceita.

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